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Como lidar com as ‘Angústias’

 

Reflitamos: Qual a finalidade desta ‘angústia’, desta ‘ansiedade’, ou desta ‘depressão’?

Qual a finalidade e significado deste ‘conteúdo’ ter se desprendido do meu psiquismo, de minha ‘Sombra’, das minhas profundezas e ter aflorado à minha mente consciente, me perturbando?

De certo, mascará-lo, negá-lo ou reprimi-lo, não resolve, só posterga e dificulta, melhor caminho é a confrontação e a conscientização.

Grandes artistas produziram e produzem suas obras, em estados de profunda angústia e depressão. Quando inibimos a expressão de nossos conflitos e ‘dores’ interiores, inibimos também a expressão da criatividade para a vida que sobrevêm aos estados angustiosos.

Ao fazermos uso de álcool, de drogas lícitas ou ilícitas, ou comportamentos obsessivo/compulsivos, também inibimos a expressão de nossos conflitos interiores. E tendemos a permanecer num processo vicioso de autoflagelação.

Toda vez que inibimos, e não confrontamos estes conteúdos interiores, que provêem de nossa natureza inconsciente, estes crescem em tamanho, se transformando em ‘Complexos Psíquicos’, que acabam por conquistarem poder e autonomia dentro de nós.

Sugestão busque recursos para conscientizar estes conteúdos psíquicos, antes que produzam maiores males, muitas vezes danosos e irrecuperáveis.

São muitos os recursos saudáveis e concretos que podemos estar utilizando para lidar quando assolados por uma ‘angústia’.

- Primeiro: não projetar ou culpar, o ‘primeiro’ que cruzar nosso caminho, acabam produzindo mais danos. Além de gerar mais sentimento de culpa. Tenho que conscientizar que sou eu que estou angustiado. Neste momento, melhor o recolhimento interior.

- Segundo: abrir um diálogo interior com nossos possíveis antagonistas, lógico sem pegar em ‘armas’. Processo de trégua, entendimento e reconciliação. Sempre com ajuda do nosso Eu Interior (Self), nosso organizador psíquico, porque as raízes destas questões vão além do inconsciente pessoal. Nosso ‘Self’ age como um ‘Guru’ ou ‘Anjo Guardião’. Ele, por possuir uma dimensão maior, sabe que vamos sair deste estado e atingir outro muito melhor do que estávamos. Desde que, não bloqueamos com recursos já citados.

Jung sugeriu o recurso da ‘Imaginação Ativa’. Distraindo nossa mente, muitas vezes obsessiva, unilateral e muito limitada. Podemos utilizar recursos diversos, de acordo com o gosto do indivíduo. Por exemplo: pintar, desenhar, modelar, escrever, e/ou, caminhar, exercícios corporais, etc. Recursos que distraem a mente e permitem as angústias, os complexos destrutivos e o ‘Self’ se manifestarem, em contrapartida, afloram intuições, inspirações, novas ‘portas’ e perspectivas se abrem, objetivando nosso ‘Processo de Individuação’, ou seja, nos tornarmos quem estamos fadados a ser, o mais completo e inteiro possível, não perfeito.

Melhor lidar com suas próprias dores com seu próprio ‘stress’, buscando sua finalidade, do que reprimir. Podem reaparecer através de psicossomatizações, processos patológicos ou doentios, inclusive, cânceres. Podem gerar acidentes diversos, inclusive infartos e AVC(s).

Quando os pedidos de socorro não são atendidos, quando nossa natureza e inconsciente não são ouvidos e nem respeitados, estes ‘conteúdos’ não assimilados, não conscientizados, afloram à consciência de uma forma bruta produzindo muitos estragos.

Psicólogo João Januário Martins – CRP: 06/53413

Postado em 16/08/2014


Busca da Sabedoria – Religiosidade Interior (Religare)  Resgate da  Herança Divina

O Amanhecer e o Entardecer da Existência


Jung fez uma analogia do ciclo da vida, ao do Sol. O amanhecer e o entardecer da existência. Ele propôs algumas reflexões:

- Primeira metade da vida: fase do Ego (Eu existencial), da consciência, da ação, do intelecto, do Ser neste Mundo (exterior), corporificação do Espírito, busca da identidade, profissionalização, constituição de família, identificações (Persona) papéis sociais: trabalho, família;

- Imagine o ciclo de vida como uma 'parábola', na primeira metade, o objetivo é o cume, o máximo que o Ego, a inteligência e a juventude podem chegar (O Sol no ápice);

- Segunda Metade da Vida: Passada a curva, Sol poente, entardecer da existência, chegada da meia idade, início da segunda metade da vida.  Experiência de morte/renascimento, morte para o Ego, morte para a juventude, renascimento para a ‘Meia Idade’, para o ‘Self’ (Si-mesmo, Eu Divino Interior). Ego passa a ser ator coadjuvante, ‘Self’ assume o comando da vida. O investimento, daqui para frente é o interior. Integração, Reconciliação, Transformação;

- Nos abrimos naturalmente para o Inconsciente Coletivo, que estamos inseridos. Integrando os Arquétipos: Persona, Sombra, Anima/Animus, Self. Abrimos-nos para o Mundo, agora de dentro para fora. Trazemos uma responsabilidade, um compromisso, primeiro conosco próprios e naturalmente para com o Mundo. Nossa individual ‘Tarefa Planetária’;

- Todo este processo sendo coordenado, pelo nosso Mestre e Guru interior, o ‘Self’;

- Busca do Divino, do Espírito, da Religiosidade e da Sabedoria Interior (Religare);

- Desidentificações da 'Persona' papéis coletivos: trabalho, família;

- Processo de Individuação, se tornar um 'Indivíduo', não mais cindido em psiques parciais:

Primeiro passo: desvestir-se das falsas roupagens (máscaras) da Persona; entrar em contato com a própria ‘Sombra’, integrando os Complexos psíquicos destrutivos. Se tornar o 'Ser' que está fadado, o mais Completo e Inteiro (não perfeito);

- Quando iniciamos o Processo de Individuação, a Busca Interior, de nossa 'Real' Identidade, do nosso individual processo de reconciliação, integrando o Inconsciente Pessoal com raízes no Inconsciente Coletivo;

- A busca, a integração, a harmonização, dos parceiros interiores: Feminino (Anima) e Masculino (Animus), porta de entrada para o Inconsciente;

- A 'razão' ou propósito da Vida é o Processo de Individuação. Somos 'atraídos' para o Centro de nossa Totalidade (Self). A Busca do Divino Interior, o Resgate de nossa ‘Herança Divina’;

Somos o próprio "Filho Pródigo" que se encontrava perdido, ferido, meio morto (Crise da Meia Idade). Desperta, e pede para  voltar ao Pai, ou ao Divino Interior. Resgate da Herança Divina.

Somos o próprio "Lázaro", que se encontrava, “enterrado e Morto", num estado “Cataléptico”.  Simbolizando, uma vida sem sentido, mas "Renasceu" em Espírito. Porque o seu “Curador Interior” ou sua Fé o curou. Simbolismo da Morte para o Ego, e renascimento para o Self. "Que parte de mim está doente, morrendo ou morreu?"

«Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o filho e seu pai, entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra, assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim; e aquele que não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. O que acha a sua vida, perdê-la-á; mas o que perde a sua vida por minha causa, achá-la-á.» (Mateus 10:34-39)

“Os inimigos de um homem são seus próprios familiares porque estes são as pessoas mais próximas dele e é com elas que ele está mais sujeito a identificar-se inconscientemente. Essas identificações devem ser dissolvidas, pois um dos pré-requisitos da individuação é a consciência de uma separação radical”... “Jesus exige um compromisso com o ‘Si-mesmo’ que transcende a lealdade a qualquer relacionamento pessoal...Ele reconheceu o perigo da identificação psíquica com os pais e com a família.

A peculiaridade do mito de Jesus está em sua asserção do paradoxal aspecto de Cristo. Ele é, ao mesmo tempo, Deus e homem. Como Jesus, é um ser humano de existência histórica, particular limitada vivida no tempo e no espaço. Como Cristo, é o 'ungido', o rei, o Logos que existiu desde o início além do espaço e do tempo, a própria Divindade eterna. Em termos psicológicos, Cristo é, simultaneamente, símbolo do Si-mesmo e do ego ideal". (Edinger – Ego e Arquétipo, p. 185-188).

"Num seminário dedicado às 'Visões' apresentado em Zurique no outono de 1930. Jung está discutindo uma paciente e disse que a paciente não deve menosprezar, e sim aceitar, sua inferioridade.


 Ele prossegue: Ora, essa é uma atitude cristã: por exemplo, Jesus disse que o mais pequenino dos seus irmãos é ele, e que devemos dar-lhe refúgio e acolhida (Mateus 25:40). E já no primeiro século depois de Cristo houve filósofos, como Carpócrates, que sustentavam que o menor de nossos irmãos, o homem inferior, somos nós próprios; logo, esses filósofos leram diretamente o Sermão da Montanha no nível subjetivo. Por exemplo, ele (Carpócrates) disse...'se levares tua oferta ao altar e lá te lembrares de que tens algo contra -ti mesmo-, deixa então tua oferta e vai-te; primeiro reconcilia-te -contigo mesmo- e depois vem e oferece tua dádiva'. (Cf. Mateus 5:22 s.) Trata-se de uma grande verdade e é muito provável que constitua a verdadeira idéia basilar do ensinamento cristão..." (Edinger - Ego e Arquétipo, p. 190).

Nossos maiores e principais adversários, são os interiores, nossos Complexos Psíquicos destrutivos.

O Encontro com o Self

"No inconsciente, existe um centro transpessoal de latente consciência. A descoberta desse centro, que Jung chamou de 'Self', é como a descoberta de uma inteligência cósmica.

O homem agora não está mais sozinho na psique e no cosmos. As vicissitudes da vida se revestem de um sentido novo e ampliado. Os sonhos, as fantasias a enfermidade, o acidental e o coincidente tornam-se mensagens potenciais do Parceiro invisível com quem compartilhamos nossa vida.

Primeiro que tudo, o encontro com o 'Self' se constitui, na verdade, em uma derrota para o ego; porém, com perseverança, das trevas nasce a luz. A pessoa depara com a 'Unidade Imortal' que fere e cura, que derruba e ergue, que engrandece e apequena - em uma palavra, com a Unidade que torna a pessoa como um todo." (Edinger – O Encontro com o self).

"Se alguém quiser ser meu seguidor, deixe para trás o seu eu; tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que se preocupar com sua própria segurança estará perdido; mas quem se deixar perder por minha causa achará seu verdadeiro eu. Que benefício terá um homem se ganhar o mundo inteiro às custas da perda de seu verdadeiro eu?" (Mateus). Se for permitido o uso de termos psicológicos, a frase poderia ser "...mas quem perder o ego por minha causa encontrará o Si-mesmo". (Edinger)

Quem perder ou morrer para a vida do Ego, encontrará a ´Si mesmo` e o verdadeiro ´sentido` da Vida. 

Aquele que estiver mais identificado às sua identidades (persona), de pai, mãe, filho, e desconectado de si próprio (Self), de sua individual, não coletiva, identidade, está fugindo, distraído de si próprio. Aquele que 'morrer' para o Ego, renascerá para o Self (Divino Interior).

Jung entendia o Self (Si-mesmo), nossa totalidade psíquica, como uma representação Divina. Ele propôs que Cristo Jesus faz parte de nosso inconsciente coletivo, como um arquétipo, mais de dois mil anos presente no imaginário da civilização ocidental.

Como Pedro que negou por três vezes a Cristo, até adquirir sua ‘consciência cósmica’, após o “galo cantar”. E nós? Por quanto tempo negaremos ao Cristo ou ao Divino Interior? De certo haverá o ‘momento’ do nosso “despertar”, do “clique” de nossa “Consciência Cósmica”!

Psicólogo João Januário Martins – CRP: 06/53413

Postado em 28/01/2014



 

Moradas Mentais

 

Princípio da 'Inércia', dentro das propostas das leis determinísticas de Newton, aí, ele, parece que contínua valendo para muitas pessoas: "Todo corpo tende a inércia, mesmo quando num movimento uniformemente acelerado", ou seja, tanto faz, um corpo totalmente sem movimento, como um outro, que repete um movimento uniforme repetitivo, ambos, segundo Newton, estão em Inércia, faz sentido não? Senão movimentar 'ATROFIA', não só os músculos, o cérebro, os neurônios, repetindo sempre os mesmos circuitos. Mesmo aquela pessoa que acha que faz muito, que corre o dia inteiro, a semana, através de comportamentos repetitivos e uniformes, está, inconscientemente, praticando uma 'Inércia’ Mental e Comportamental, qual a dica? Se permitir fazer coisas diferentes, novas, mesmo que, no início, gerem desconforto. Um exercício de alongamento, de caminhada, se o indivíduo não está acostumado, sentirá desconforto, normal, desde que não haja, atrofiado o sistema muscular/esquelético e tenha gerado uma artrose, ou mesmo uma hérnia, aí, as coisas complicaram, só com orientação médica. Se 'não' for este o caso, 'não' deve desistir.
Assim também a 'Mente', é incomodo se pensar, refletir o que tem sido sua vida, buscar alternativas, mudanças, também geram desconfortos, inseguranças, deve desistir? 'Não', também com restrições, se a 'atrofia mental' chegou a um ponto, que de uma neurose, periga uma psicose, melhor deixar como estar. Portanto, antes que aconteça o pior, que tal vencer esta 'Inércia' de fazer e pensar sempre igual e começar novas atividades: físicas, mentais/emocionais e espirituais. Detalhe, nenhuma substitui a outra.

No meu caminhar desta manhã, sempre no início, normal sentir uma pequena resistência, e sou praticante. Devagar o sistema muscular/esquelético vai destravando, após um aquecimento, faço o alongamento, o caminhar vai ficando mais leve. Começo a liberar hormônios e neurotransmissores que me dão sensação de prazer e bem estar. Ajudando a libertar-me do aqui e agora, longe de qualquer pensamento de preocupação.

 

Já na segunda volta do circuito, sinto meu corpo fluir, a mente distraída observando e sentindo a natureza, libera a alma e início uma pratica de meditação, sinto que me conecto com o meu ‘guia interior’, Eu Divino Interior (Self), a partir daí, começam a fluir inspirações e intuições.

Frequente, lembrar da estória do “Fernão Capelo Gaivota”, lembram? Cansado da rotina do dia a dia, de repetição, de ‘inércia’, de viver só com a preocupação do que comer, de disputar e competir por alimentos, copular, etc. Ele se permite a experimentar outros saberes e competências. Exercitando voar cada vez mais alto e de diferentes formas, vai se descobrindo e percebendo que existe outros mundos diferentes daquele que estava vivendo, preso às grades de uma mesma rotina diária.

Tenho praticado algo parecido ao do Fernão Capelo e estou tentando estimular vocês também experimentarem. No começo, o novo, sempre é difícil e trás insegurança. Lógico, vai mexer no que está quieto, sedimentado. Traz desconforto porque vai mexer com algo ou questões que estão paradas, sem movimento.

Interessante que tudo o que vale para o corpo fisiológico vale também para o mental/emocional e espiritual. Quanto menos exercitar, renovar, reciclar, oxigenar, mais toxinas biológicas (ácido lácteo) e mentais vão se aglutinando e dificultando a livre circulação de sangue e energia. Lembrando que o ‘suor’ também é um sistema excretório. Quando movimento meu corpo, facilita também, tudo o que precisa ser excretado, músculos, vísceras, recebendo novas circulações de sangue e oxigênio e com o consumo de água e alimentação saudável, vou eliminando as toxinas armazenadas e tudo aquilo que não mais me serve. Junto com o gás carbônico excretado na respiração, mentalizo que elimino energias turvas. Mentalizo, eliminar formas pensamentos negativos, distorcidos. Na inspiração, junto com o oxigênio, mentalizo incorporar energias balsâmicas, tonificantes, renovadoras que a partir dos pulmões, para o coração, são distribuídas para todo o organismo. Pensamentos perturbadores, que chegam por repetições de um passado, ou por ruídos, tentam eliminá-los, vou desenvolvendo filtros mentais seletivos, o que me serve, armazeno, dou utilidade, o que ‘não’ me serve, ‘aterro’ ou descarto, entendendo que são ‘ruídos’ prejudiciais que não somam, mas sim, só atrapalham ou dificultam.

Na ‘inércia’ de movimentos, de repetições de pensamentos, de cristalizações referentes há um passado, num processo auto obsessivo, as doenças começam a se instalar. A repressão de emoções e sentimentos se faz presente também visceralmente, somos um ‘todo’ transpessoal. Portanto, quando racionalizo que não gosto de movimentar o corpo, atrelado a isto, inconscientemente, “não quero” ou “sinto medo” de sentir minhas emoções e meus sentimentos.

Somos Natureza, e quando Ela não é respeitada, reage contra a agressão, quanto à falta de atenção, da clandestinidade que foi relegada.

Conclusão, sempre parcial, quer sair deste círculo vicioso? Fácil, não é, porque significa um ‘assumir-se’, onde eu sou responsável por mim, não mais projeto no outro as questões de minha infelicidade ou felicidade.

Sugestão, vença as resistências e dificuldades iniciais e comece primeiro uma simples caminhada que seja. Mas não esqueça de ‘distrair’ a mente, porque ela pode ser nossa parceira ou dificultadora, nos sabotando e continuando a exercer uma auto obsessão, aprisionando a alma.

Boa Sorte! Para aqueles que estiverem preparados para ‘altos vôos’, mais devagar, sempre com bom senso. Como propôs Leonardo Boff em “A Águia e a Galinha”, somos os dois! ‘Águia’ para visualizar novas possibilidades e competências, ‘Galinha’ para tornar isto concreto e real, aqui neste mundo, no chão terra.

Os cientistas quânticos, descobriram que a luz, é composta de partícula e onda, e nós somos um ‘todo’ ou um ‘ser quântico’, ou a metáfora que o filósofo utilizou para galinha ou corpo físico (partícula) e a águia (onda) ser espiritual.

“Na casa de meu Pai há muitas Moradas”, em qual ‘morada’ mental você está aprisionado?

 

Psicólogo João Januário Martins – CRP: 06/53413

Postado em 10/04/2013 

 

 Reflexão: Desaprender para Apreender

 

Por que sofremos? Porque nos afastamos de nossa natureza interior. Este afastamento relega nosso inconsciente, nossa vida interior há um segundo plano de atenção, gerando, desarmonia, desagregação, dissociação e trás como consequências, dor e sofrimentos.  Quando só valorizamos o aparente, as superficialidades, estacionados em ‘zonas de conforto’ e não tendo a coragem e predisposição para confrontarmos nossa ‘Sombra’, que representa o que não aceitamos em nós, domínio de nossos ‘complexos’, satisfeitos em nos apresentar com máscaras, através de nossa ‘Persona’, num constante representar, fazer de conta, no mundo aparente do Ego, que só satisfaz o reino das vaidades e do egoísmo. A partir daí, não resta outro caminho, à ‘Sombra’, relegada ao esquecimento, à clandestinidade, excluída da atenção do Ego, começará a sabotá-lo, invadindo o terreno da consciência com toda sorte de torpezas e sabotagens, provocando destruição, desagregação, desunião, dissociações, como conseqüência: estados neuróticos, depressivos, acidentes e outros, que fazem ‘jogar por terra’ tudo o que o Ego valoriza e se fundamenta. Talvez, no fundo do poço agora, o Ego vencido de suas fantasias, presunções, egocentrismo, se curve e passe a respeitar sua ‘natureza interior’ que ao mesmo tempo em que trás, sua própria negação, suas sujidades escondidas, seus complexos destrutivos, também trás, o roteiro de sua própria salvação, do bem viver, da agregação, integração e da Luz.

É difícil quebrar velhos hábitos comportamentais de pensar e agir. Façamos uma associação, para quem tem a pratica de caminhar, como exercício físico, quando se inicia a caminhada, sentimos a musculatura presa, retesada, pernas e corpo pesados, não? “Todo o corpo tende a INÉRCIA”, uma das leis do físico Isaac Newton, séc. XIX, infelizmente, em alguns aspectos simbólicos, ainda é verdadeira esta afirmação. Temos uma dificuldade absurda de começarmos algo novo, que seja um simples caminhar. Por quê? Por falta de pratica, de costume, de tornar habitual. Tendência há abandonar tudo o que começamos de início, trás desconfortos, vai ‘mexer’, incomodar, ao que está quieto. Esta mesma analogia vale para nossas questões do psíquico que envolve todo o nosso ser transpessoal ou integral, campos do mental/emocional/físico. Por falta de novos aprendizados, de um ‘reaprender’, mantemos as mesmas rotinas, condicionamentos e comportamentos viciosos.

Como fazer para ‘oxigenar’ este ‘ser psíquico’ que somos? Primeiro o desejo, a intenção de quebrar estes ‘velhos’ paradigmas, estas velhas rotinas de ser. Um corpo sem movimento apresenta um ‘ser’ paralisado, semimorto, como num estado cataléptico. Em sua dimensão mental/emocional, só as mesmas e ritualizadas formas de agir e reagir, configurando estados viciosos e obsessivos de pensar e agir. Na sua dimensão física, como conseqüência, comportamentos estereotipados, repetitivos, sistema muscular/esquelético retesado, tenso, enrijecido , sem nenhuma flexibilidade, que a qualquer momento travará. Dentro deste estado de ser, reproduz um sangue ‘contaminado’, carregado de toxinas, onde faltam, oxigênio e nutrientes, determinando, também, como conseqüência, um cérebro limitado, que só reproduz as mesmas ligações neurônicas conhecidas, refletindo a mente, rotinas de pensamentos obsessivos, de agir e de reagir. Embotando o raciocínio, a memória e por fim produzindo doenças do mental/emocional.

 

 

Quebrar estas velhas rotinas, antes que elas nos quebrem. Experimentar fazer atividades diferentes das habituais, se permitir ao ‘novo’. Evitar rotinas de pensamentos obsessivos, tentar distrair a mente, caminhar, sentar à beira de um lago, numa praça, num jardim, focar a paisagem, uma ave, a vegetação, as flores, estando inteiro, focado neste momento. Abre caminho para novas descobertas,  se permitir, se ‘ouvir’ de verdade, distraindo a mente, nosso ‘Eu Interior’ se faz presente, nos intuindo, inspirando, trazendo novas possibilidades de ser, de criar, de viver.

É difícil quebrar velhos hábitos de pensar e agir?

A Natureza sempre nos proporciona, após o inverno, o despontar, o despertar de uma nova ‘primavera’ que representa, florescer, renascer, reviver, ressurgir, colorir, através do colorido das flores, das árvores, da vegetação, do verde e até dos cantos dos pássaros que parecem se tornar mais altos, melodiosos e alegres.

Trazendo este simbolismo para a nossa ‘vida interior’, do ‘Ser Transpessoal’, ‘Integral’ que somos. Trazemos a Essência Divina, adormecida, a ser ‘germinada’, resplandecida e, por fim, exteriorizada.

Saindo do ‘inverno’ de nossa vida interior que pode representar recolhimento, rejeição, isolamento, desmotivação, e mesmo, tristeza. Estimulando-nos a buscar nossa ‘primavera interior’, despertando novos ideais, novas formas de viver, ‘renascimento em espírito’, através das experiências de vida, de erros e acertos; colorindo nossos caminhos com cores vivas e alegres, mas não tendo medo e nem fugindo, de nossas cores escuras, que também fazem parte de nós, neste momento. Refletindo a ‘Luz Divina Interior’ que também somos, através de percepções não contaminadas, de posturas não pré conceituosas, de gratidão, de valorização da VIDA; do olhar, do sorriso, e da boca que possam expressar palavras, posturas e comportamentos doces e gentis. Traduzindo motivação e entusiasmo para novas buscas, auto descobrimentos, realizações e sentido de vida.

Portanto, ‘FELIZ PRIMAVERA’ de 2012! E de todo o sempre! Feliz ‘renascimentos’, ‘florescimentos’, buscando preparar nosso ‘solo’ interior para que as sementes do AMOR, da alegria, da motivação, do comprometimento, possam florescer e dar muitos ‘frutos’.

 

 

 

Psicólogo João Januário Martins – CRP: 06/53413

Postado em 19/10/2012

 


 

 

Inércia – Destino

 

 

"Ninguém quer saber o que fomos, o que possuíamos, que cargo ocupávamos no mundo; o que conta é a luz que cada um já tenha conseguido fazer brilhar em si mesmo". (Chico Xavier).

 

 

“Todo corpo tende a inércia”, mesmo num movimento uniformemente acelerado, propunha o físico Isaac Newton, século XIX, lei mecanicista. Esta ciência, hoje, é considerada, ‘morta’, porque prega leis ‘deterministas’.

 

  

Diz Jung, que muitos ainda vivem com a mente ‘presa’ há séculos anteriores. Se, somos ainda influenciados por esta ‘ciência morta’ e ultrapassada, gerando  comportamentos de repetições, condicionamentos, de apegos, comodismos, ‘zonas de conforto’, compulsões, viciações, dependências, compulsões e obsessões.

Hoje, com a visão da ‘Ciência Quântica’, somos estimulados, a transformar as referências de imagens mentais que trazemos em nosso psiquismo. Esta, fala, sobre  ‘indeterminismo’, ‘relativismo’, ‘impermanência” e da ‘relatividadade’ dos fatos e acontecimentos. Jung propôs conceito de ‘sincronicidade’ ou ‘efeitos sincronísicos’, ou seja, alguma coisa, ou algum fato pode ocorrer, sem que, tenhamos definido necessariamente qual foi a ‘causa’.

Como perceber, se vivemos numa total inconsciência de nós mesmos?

Temos muita dificuldade de experimentar o ‘novo’, quer seja, fisica quanto, mentalmente e, numa visão do ‘ser integral’, somos um todo, uma dificuldade mental/psíquica, traduz-se por física e vice versa.

Ou seja, restringimos nossos músculos, nossa respiração, tudo para evitarmos as emoções ou o sentir, reprimindo-os. Consequência, inevitável, é o adoecimento, inclusive mental, por exemplo: depressão.

 

 

 

Desatrelhar, muito desta 'mochila' de cargas que carregamos nas costas é uma viciação, dependência, em manter sempre, e viver sómente uma identidade, das inúmeras que somos chamados a ser. A partir da meia idade, para não dizer toda a vida, nosso principal compromisso somos 'nós mesmos', daí, derivam todos os outros. Acham que fazer 'caridade' ou ser 'pseudo bom' é sempre dizer 'sim'? Sim para os outros e 'não' para nós? Até quando? Será que precisaremos repetir e repetir sempre os mesmos sofrimentos, gerando ‘karma determinístico ou destino? Ou podemos reescrever nossos roteiros´, num ‘karma Quântico’?  Criar, recriar, atrair, bons momentos, entusiasmo e prazer em viver e efetivamente fazer e realizar o nosso 'sentido' de vida.

Daí, a importância de nos darmos uma atenção como um ‘todo’, ou seja, corpo-mente-espírito. Então, é tão importante fazermos uma atividade física, exemplo, caminhada, como, investir no nosso emocional, nos conhecendo melhor, integrando nossos complexos e tendo sempre uma visão de ‘espírito’, que somos.

 

Psicólogo João Januário Martins – CRP: 06/53413

Postado em 19/10/2012


Visita da Sombra - Eu Interior

 

"Quanto mais a 'Sombra for reprimida, mais se tornará espessa e negra. Exemplo no conto de Stevenson, 'Dr Jekyll e Mr. Hide', no cinema 'O Médico e o Monstro'." (Nise da Silveira). Como neste desenho do Pateta, o Sr. Walker, gentil, sensível, pontual, honesto, não seria capaz de machucar uma formiga. Mas quando pega no volante do seu carro se transforma, acontece um fenômeno estranho, de se deixa levar pela forte 'sensação de poder'  assume outra personalidade, se transforma num 'monstro' incontrolável, um motorista diabólico, o Sr. Walker é agora o Sr. Willer, o motorista. Não temos algo em comum com estes personagens? Você já sentiu-se possuído por sua 'Sombra'? Eu algumas vezes. Vocês acham que está semana eu estou diferente? Mais presente? Mais inspirado? Vou lhes contar um segredo, posso? Fica entre nós? Eu recebi uma visita muito ‘especial’, neste final de semana, curiosos? Nada mais, nada menos, do meu Eu Interior (Divino). Presunção a minha? Pode ser, só que Eu só consegui percebê-lo, senti-lo, depois que ‘vivenciei’ a ‘visita’ de uma acompanhante Dele. Curiosos? Sabe quem era a acompanhante? Quem arrisca? Minha ‘Sombra’! Ela se fez presente, mais uma vez, no momento foi um ‘Deus nos acuda’, de besteiras faladas e agidas, verdadeiro momento de ‘escuridão’, que fugimos e temos vergonha destas situações, não? Mas, quando, menos esperamos  ‘Ela’ se faz presente, a nos espreitar. Claro, que, quem estiver a nosso lado naquele momento, sofrerá por ‘tabela’, infelizmente atuando como um ‘sparring’ ou coadjuvante. Neste momento seguinte fiquei  ‘péssimo’ pelo arrependimento, mas, no momento seguinte...Este é o meu ‘momento seguinte’, agrado alguns? Impossível agradar a todos, nem é esta a minha intenção.

Bom, esta primeira parte, foi um ‘mostrar-se’, sem vergonha do que Eu sou. Se você ler Jung Ele também, não tem nenhuma vergonha de mostrar-se, acho que também por isso que me identifico tanto com Ele.

Ora, Eu sou este par complementar ‘Eu Interior’ – ‘Sombra’, ou, ‘Luz’ – ‘Sombra (complexos)’, quem conviver comigo na minha intimidade, se efetivamente me ‘amar’, terá que me aceitar nesta completude. E, claro, vice versa. Acho, absurdamente enfadonho, entediante, ‘um saco’, conviver com alguém que tem que dar o ‘exemplo’ todo tempo, não se permitir a errar nunca, impossível! Esta criatura está à beira de uma ‘neurose’ ou de um ‘surto psicótico’, ou tem o sentimento totalmente ‘embotado’.

Portanto, para aqueles que ainda não cansaram de me ouvir, ou ler, ou me acompanhar, sugestão simplesmente ‘SEJAM’, sejam o que puderem ser, não se imponham grilhões ou algemas, que só contribuíram para que se tornem criaturas ‘não humanas’, à beira de um colapso, ou se tornarem  insensíveis, ‘robotizados’, ‘petrificados’, nunca erram, porque não vivem, só julgam e condenam, mas não percebem que estão se tornado cada vez mais sozinhos e doentes.

Se não aceitar meu paciente com a sua ‘Sombra’, sem julgá-lo e querer  ‘endireitá-lo’ ou ’curá-lo’, como disse Jung, se o psicoterapeuta ou o médico sentir ‘repugnância’ pelo seu paciente, como pode ajudá-lo? Como posso aceitar o meu paciente por inteiro, claro, com a sua Sombra manifesta, senão enxergo e não reconheço a minha própria? Penso que esta mesma reflexão sirva para qualquer outra relação afetiva. Como posso manter um companheiro (a), ou qualquer, outra relação, ao meu lado, se não o aceito por ‘inteiro’?

Qual inspiração que tenho para falar ou escrever já lhes confessei acima, como diria Jung, não sei, se foi a Sombra sozinha, ou o ‘Organizador Interior’, no que Eu acredito, que sabe e enxerga muito mais que o Ego, o que é melhor para nós, e meio que já ‘sabe’ das escorregadas, das quedas, e que no momento seguinte, vamos estar numa melhor sintonia com Ele, sendo inspirado, por Ele, como agora Eu estou. Claro, que contribuem as minhas caminhadas, melhor com Sol, onde as reflexões, as inspirações e também a auto análise, acontecem, também as meditações, exercícios de alongamento (Tchi kung), um pouco de tudo, claro, não esqueçam da pratica da troca afetiva, do amar e ser amado.

Cresço demais nestas experiências de ‘contaminação’ de minha própria ‘Sombra’, do que na teoria, ou seja, ‘atuar’ no mundo sem medo de ‘quebrar’ a cara, assim crescemos em busca de nós mesmos.

Satisfeitos, cansados, de me ‘ouvirem’, certo deixemos para continuar logo. Por ora, gostaria de estimulá-los, a não mais fugirem de vossa ‘Sombra’ e que quando ela se fizer presente, seja qual for o ‘estrago’, calma, porque num momento seguinte, surgirá ‘muita luz’, de clarividência de percepção. Até que se faça necessário uma nova visita ‘Dela’ ou ‘Dele’ ou ‘Deles’?

 ‘Desejo’:  “Com os que erram feio e bastante que você consiga ser tolerante...Quando você ficar triste que seja só por um dia e não um ano inteiro...Que você tenha a quem amar e quando estiver bem cansado exista Amor para recomeçar, recomeçar...” (Desejo – Frejat).

 

Psicólogo João Januário Martins – CRP: 06/53413

Postado em 24/05/2012


 

Integração ou Cisão

 

 

Em algum momento de sua própria vida, você não agiu, teve algum tipo de comportamento, que tenha percebido que perdeu o 'controle' de si mesmo? 'Atos Falhos', ' Lapsos de Memória', etc.?  Ou, pior, quando a pessoa, não lembra, desmente, tais comportamentos, e o interlocutor assistiu e confirma o ocorrido? Quem você acha que possa estar por trás ? Agora, a 'cisão' completa e muitas vezes, irreversível, são os ‘surtos psicóticos’. Infelizmente, todos estamos sujeitos, devido a situação de ‘estresses’, que muitos estão envolvidos, e alimentando. Por isso, a premência, de começarmos a nos 'enxergar' de fato, como o nosso 'principal compromisso' e responsabilidade.

Faz sentido, não? Se, Eu estou num processo de  'Integração', de 'Auto Valorização' de me 'Amar', consigo, de fato, em contra partida, Amar e Respeitar, meu 'próximo'. "Quando fores fazer uma oferenda no Altar, e tiveres alguma pendência, com o teu 'irmão', deixe tua oferenda, na beira do Altar, vá, reconcilia-te, primeiro com teu irmão, depois, volte, e faças a tua oferenda". Jung, pesquisando, os escritos gnósticos, relata, que onde está escrito "irmão", nesta passagem de Jesus, leia-se "Você  Mesmo".

Eu ‘sou’, meu principal adversário/inimigo  (caos da Sombra Inconsciente), onde reinam nossos ‘Complexos’ autônomos, a quem devo me reconciliar e, também, sou  meu ‘Principal Aliado’ (Self, Eu Interior Divino). "Joio/Trigo, Sombra/Luz", neste momento, 'somos' os dois. Como pode a onda se separar do mar? A partícula da onda, se ambas compõe a 'Luz'? O Yin/Yang, se ambas representam a Energia ‘Qi’, e nossa ‘Essência’? O corpo físico/espírito, porque ambos representam e compõem a ‘Alma Encarnada’? Se ocorrer a separação - 'Cisão', perdurando, ‘Psicose”, ‘Alienação’!

 

 

Psicólogo João Januário Martins – CRP: 06/53413

Postado em 19/04/2012

 


 

Resgate da Criança Interior

 

 

“Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus” (Mateus - 18:2).

 

O que representa a 'Criança'? Podem imaginar? Vamos tentar entender, embora, as palavras sejam por demais limitantes. 'Criança' pode traduzir-se por 'espontaneidade', 'liberdade', 'clareza' no agir, 'concentração e entrega' no que está fazendo, não 'mágoas', sempre prontas para 'ficar de bem' e esquecer o acontecido, ser verdadeira, 'sem máscaras'...

 

Que mais? Podem ajudar e contribuir, do que é 'Ser Criança'?

 

Claro, que não, no sentido, de um adulto 'infantilizado' e 'irresponsável', mais num adulto 'alegre', com 'Entusiasmo' e de 'Bem' com a vida, que vê sentido em tudo, que não para na primeira 'porta fechada' e fica chorando, mais procura a próxima, a próxima e a próxima...o que tem atrás desta porta? Sem medo, 'atua', vai atrás, abre quantas portas forem necessárias, curte, terminou? Fecha o ciclo e começa outro, e assim sempre. Que não culpa ninguém, por nada, e também não se culpa, nem sente vergonha, quando erra, ou está triste, pode sentir raiva, xingar e até brigar...emoções e sentimentos passageiros, próprio de um 'ser humano', mais que passam, perdoa e esquece.Quão 'longe' estivermos disto, significa, quão muito, estamos distantes de nossa 'Criança Divina Interior'. Longe de desanimar e desistir, vamos em 'Busca Dela'.Como nos apontou o 'Mestre Maior', nossa 'Porta Estreita' e única de entrada no 'Reino dos Céus', ou seja, de nossa 'salvação' deste 'Karma Determinístico', de repetição de dores e sofrimentos...

 

Jung, propôs, que uma das formas do Arquétipo ‘Self’ (Si Mesmo, Eu ou Divino Interior) seria através do 'Arquétipo da Criança Divina', ou seja, Processo de Individuação, que significa, em poucas palavras, nos tornarmos efetivamente naquilo que estamos 'fadados a ser', num 'Único Indivíduo', não mais cindido, 'Ser Singular', ou seja, resumindo, no 'resgate' deste 'Arquétipo da Criança Divina Interior'.Nesta foto em anexo, simbolizando o 'Batismo' e início da 'Missão e Tarefa Planetária' de Jesus Cristo. Lembrando, João Baptista, o precursor, 'anunciou', preparou o caminho para o Cristo Salvador.Jung, propõe, que as passagens Evangélicas de Jesus, são 'Arquetípicas', ou seja, 'Verdades Eternas', no simbolismo deste 'Batismo', desta transferência e entrega de 'Poder', de João para Jesus, o Cristo, representa a passagem que também tem que acontecer, de transferênncia de 'Poder', de 'Comando', de nosso 'Ego' para o 'Eu Interior'. O Ego, como João Baptista, preparou o terreno, agora 'sai de cena', passa a ser a 'ator coadjuvante', deixa o 'Eu Interior - Ator Principal' que também é Diretor, Roteirista, Iluminador...assumir, e realizar também sua 'Tarefa Planetária'.

 

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas o que perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro mas arruinar a sua vida.” (Mateus 16:24 a 26).

Esta passagem de Jesus, representa a 'transferência de poder', do 'Ego' para o 'Eu Divino Interior'.

 

 

 

Psicólogo João Januário Martins – CRP: 06/53413

Postado em 19/04/2012


 

 

Apego - Desapego

 

Começo esta reflexão perguntando a vocês: quais são ‘seus bens’? Do que você não ‘abre mão’ em sua vida? Respondeu? Então podemos continuar.

Se nós pararmos para refletir, as mesmas coisas estão sendo ditas e escritas há milênios, só que, algumas vezes, de formas diferentes. Se ‘tudo’ já sabemos, se são sempre as mesmas coisas, por que continuamos sempre iguais? Chegamos a ‘brilhante’ conclusão que ‘só saber’ não resolve, se não gerar, transformações!

Em outro texto falamos sobre hábitos e repetições, herança de nossa ancestralidade, não? Claro, somos um animal superior (sic), ou deveríamos ser. Mas o nosso viver, ainda remete aos nossos ancestrais: hábitos, condicionamentos - cérebro reptiliano - parte mais ‘ancestral’ de nosso cérebro, medo do novo, do desconhecido. Sendo assim, ainda hoje, séc. XXI, será que estamos psiquicamente realmente neste século? Ou ainda ‘estacionados’ em algum século anterior? Por este motivo, ainda há necessidade de aprendermos por repetição. Por exemplo, pensando, falando, ou escrevendo, agindo, conteúdos muito parecidas mais em momentos diferentes, com outras associações, outros reações e comportamentos. Assim, estimulamos e fazemos trabalhar nossos cérebro superior, hemisférios, direito (associativo) e esquerdo (lógico), vamos tentar? Vamos nos permitir? Só que existe uma pré condição: a de estarmos concentrados nesta reflexão, atributo hemisfério esquerdo que tem a função de ‘focar’. E, claro, para ‘viajar’, junto comigo, o hemisfério direito, através das associações diversas.

Um médico pediatra, psicanalista, inglês, chamado Winicott, propôs, século passado, a teoria dos ‘Objetos Transicionais’.

Como este médico atendia crianças desde seu nascimento, percebeu que estas, precisavam se ‘apegar’ a certos ‘objetos’, onde se criavam vínculos, com certos ‘poderes’. Estes, podiam, ou podem ser, pois contínua valendo: um boneco de pelúcia, cobertorzinho, uma fralda e mesmo à chupeta, entre outros, que atuam como reconfortadores emocionais,  acalmando e trazendo uma ‘certa’ segurança à criança ou criando uma ‘zona de conforto’.

A análise e proposta do Dr. Winicott é de que estes ‘objetos transicionais’, são sadios e necessários, como o próprio nome diz, são transitórios, migram de um objeto, ou interesse para outro, no seu devido tempo.

Sabemos dos riscos dos pais, e mesmo, de certos, ‘profissionais’, da área da saúde, racionalizarem que tais objetos podem e devem ser abolidos a qualquer momento, por esta ou aquela razão.

Será que esta teoria só é válida para o período infantil? O que vocês acham? Pois é, parece, que levamos certas necessidades de apego a alguma coisa, ou a alguém (reino hominal ou animal), certamente, por carências afetivas, medos, etc. Exemplos: apego a bens matérias (casa, carro, dinheiro,...); a uma determinada pessoa ou ao animalzinho de estimação; compulsões: consumismo, trabalho, alimentar, sexual, alcoolismo, tabagismo, drogadicção. Todos estes exemplos atuam como ‘acalmadores’, de ansiedade e angústia, mas quando em excesso, causando dependência, passam a ser patológicos.

O que o torna ‘patológico’ ou doentio é quando não existe esta transição, ficando-se dependente deste estado de ser. Incluam, por favor, outras dependências, tipo: depressão, ansiedade, pânico, hipocondria, etc. e seus correlatados, antidepressivos, ansiolíticos, etc.

Sem dúvida que este ‘apego’ também tem haver com papéis sociais, identidades que representamos em determinados momentos de nossas vidas: família, trabalho, instituições religiosas, paixões, etc. Que também podem gerar dependências.

Em psicologia, chamamos ‘catexia’, ou investimento de energia psíquica ou libido para um determinado objeto.

Num contexto maior, a própria vida é ‘transicional’, não? Daremos menos valor por isto? O bom senso diz que ‘não’! Somos sempre ‘Espíritos’, independente se encarnados, ou não. Se, no momento, encarnados, nosso corpo embora ‘transicional’, faz parte da alma encarnada, não? Acredito que a maioria de vocês responderam, sim! Muitos de nós racionalizam: eu sei que é assim! Voce se vê como Espírito? O que temos sujeitado este corpo e por tabela todo o resto do nosso ser, por conta de nossos estresses? Já sabemos que somos um ‘Ser Integral’, ‘Transpessoal’, tudo de bom ou ruim que nos afeta fisiologicamente ‘reverbera’ no corpo perispíritual (corpos sutis, ex.: duplo etérico, astral, mental). E vice versa, as toxinas mentais ‘drenam’ para o corpo físico, sendo causas de muitas doenças, as chamadas ‘doenças psicossomáticas’.

Chegada à meia idade, como em outras transições, ou ‘renascimentos psicológicos’, não seria ‘hora’ de revermos nossos ‘apegos’? De transitarmos para outros ‘objetos transicionais’? De preferência investindo em ‘tesouros’ que “ladrão não rouba, nem a ferrugem ou a traça corroe” e ouso acrescentar: que as ‘rugas’ ou as doenças consomem.

Então, associando a esta teoria, onde ‘tudo’ é transitório mas ‘importante’ por um ‘determinado momento’ de nossa existência. Sabem o que não é transitório? ‘Nós mesmos’! Dentro de um contexto maior, ou seja, como Espírito! Todas as outras relações, acabam e devem ser ‘secundárias’ porque senão, geram ‘apegos’ e nos perdemos de ‘foco’. Perdendo-nos de ‘foco’, significa, mais afastados do Divino Interior, portanto, de nosso principal compromisso – nós mesmos! Daí, derivam todos os outros, volto a repetir: família, trabalho, religião...Repito, palavras do Mestre: “O Reino dos Céus (ou de Deus), está dentro de Vós”! “Buscai em primeiro lugar o Reino dos Céus e todo o resto lhe será dado por acréscimo”! Exaustivamente vamos ‘repetir’ estas passagens até se tornarem internalizadas.

Voltando ao questionamento inicial: quais são os seus maiores ‘Bens’? Pode relacioná-los? Mudou de opinião? O que automaticamente associamos? Bens Materiais, não? Estes são realmente nossos bens principais e maiores? Infelizmente, sim, nesta ‘distorção’ de vida, de repetições, que temos levado. Por isso estamos ‘presos’ ao ‘Karma’ determinístico, lembram-se? Como dizia Buda, estamos presos ao Karma pelos ‘desejos’. Então qual seria nosso ‘Bem Maior’? ‘A Vida’! Ou melhor a ‘Nossa Vida’! Atrelado ao corpo físico que foi nos dado por empréstimo! Aliás, a partir daí em ordem ‘decrescente’ de importância, todo o resto. Não costumamos ter responsabilidades maiores por tudo o que nos foi dado por ‘empréstimo’? Será que temos?

É comum ouvirmos, “posso morrer tranqüilo, vou deixar minha família bem”! Bem, do que? Bens materiais? E voce? Como está sendo seu envelhecer? Como vai ser seu ‘desencarne’? Como vai chegar do ‘outro lado’? E a próxima reencarnação? Não lhe preocupa? Portanto, qual deveria ser nosso principal ‘investimento’?

Como tudo é uma continuidade, já estamos formando ‘nossa bagagem’ para o ‘próximo momento’ e para próxima reencarnação, não? Claro que sim, a todo o momento. Sendo assim, preste atenção ao que anda ‘juntando’, ‘armazenando’, como bagagem? Devemos perguntar: é útil? Será útil? Infelizmente nossas bagagens estão ‘forradas’ de conteúdos que só estimulam ‘apegos’, quer outros exemplos de apegos? Mágoas (não perdão). Não seria hora de nos livrarmos de certos ‘lastros’, ou excessos de bagagens que efetivamente não nos servem mais para nada? Estes ‘pesos’, apenas retardam, dificultam, impactam, a nossa ‘jornada’.

Quando o ‘espírito’ reencarna ele incorpora uma certa quantidade de ‘energia vital’, ou ‘fluído vital’, ou ‘essência’. Podemos entender como um ‘combustível’ primário. Ao longo da ‘jornada’ da vida, este, vai se consumindo. Quanto maior as ‘cargas’, mais energia gasta, consequência? Corremos o risco de não cumprirmos o ‘planejamento da viagem’. Parando pelo meio do caminho, de novo, vamos repeti-lo até conseguirmos concluí-lo, chegando ‘um dia’, ao ‘destino’ desejado.

Quanto mais ‘pesada’ nossa bagagem, mais atrelada ao ‘Karma Determinístico’ – Ação e Reação – presos a repetições, vivendo de verdades de séculos passados, ou mesmo milênios, atrás.

Lembram-se, quando Jesus afirmou “Há muitas moradas na Casa de Meu Pai”? Nós espíritas, espiritualistas e Kardec, através de seu trabalho da Codificação do Espiritismo, deduziu, que o Mestre Maior se referia a ‘outros mundos’ do universo, onde também existe ‘vida’. Muita pretensão nossa achar que só o planeta Terra tivesse ‘vida’. Quanto a isto, penso, nenhuma dúvida.

Concordamos que vivemos num Macrocosmos? Também entendemos que somos um ‘Microcosmos’? Por dedução, trazemos ‘universos paralelos’ mentais dentro de nós! Onde dependendo do ‘foco’ ou ‘migração’ de nossa energia psíquica, nos vemos, ouvimos e agimos, de formas totalmente diferentes e parecidas, parece que não falamos nem a mesma ‘língua’, pois temos muita dificuldade de nos entender interiormente.

Num primeiro momento nos ‘descobrimos’ como um ‘caos’ desconexo, lembrando que hoje sabemos, pela ciência, que até o ‘caos’ existe ‘ordem’. Nas palavras de Jung, “em todo caos há um Cosmos, em toda desordem uma ordem secreta”.

Nossas ‘moradas’ interiores guerreiam entre si, disputam a ‘dominação’ de nós mesmos. Lembram-se, da proposta de ‘complexos psíquicos’ de Jung, que se desconexos, atuam como verdadeiros ‘vampiros’ de nossa energia vital ou psíquica. Nesta situação, circulam nos nossos corpos sutis e físico muitas ‘toxinas’, onde acabamos por ficar ‘viciados’, dependentes, como um drogadicto pelas suas drogas. Num estágio de total inconsciência, obsessivo, num processo autodestrutivo, onde o instinto de morte prevalece (Thanatus).

Após longo período ou processo de ‘caos’, ainda necessário, no nosso atual estágio de evolução, nosso ‘Sol Maior’, ‘Self’, ‘Eu Interior’ ou ‘Divino Interior’, finalmente, se faz sentir, sua ‘luz’ consegue vencer as ‘trevas’ interiores, começamos a sair de nosso próprio ‘umbral’. Começando um longo processo de ‘arrumação’, organização, harmonização, ‘reconciliação’ de nossa ‘casa interior’ ou do nosso ‘microcosmo’. De mundos paralelos mentais desconexos, verdadeiros ‘buracos negros’, núcleos de energia ‘chupões’, começamos a deixar de si este mundo ‘cindido’, de personalidades paralelas, para nos tornamos um ‘único’, Ser Singular, que estamos fadados a ser. Verdadeira ‘razão’ e propósito da existência (Processo de Individuação). Visão maior de ‘Espírito’ a busca do ‘tesouro interior’, ou seja, a busca ou resgate de nós mesmos, instinto de vida (Eros), ou ainda finalmente (ufa), reconhecendo a nossa ‘predestinação’ voltamos para buscar ou tomar posse à parte que nos cabe, da ‘Herança Divina’.

Podemos parar por aqui, por ora? Vamos tentar ‘digerir’, refletir o que têm sido nossas vidas. Mas entendam, devido estes ‘universos paralelos’ que nos influenciam, insistimos em focar as mesmas ‘imagens distorcidas’, devido ao vício obsessivo repetitivo de sermos sempre ‘iguais’. Exatamente ‘aí’ que devemos investir, como? Lentamente tentar, mesmo por repetição, transpor, mudar estar ‘imagens’ distorcidas, desfocadas, descoloridas e mesmo contaminadas que entra ano, saí ano; entra século, saí século; ou mesmo entra milênio, saí milênio, insistem em se ‘repetir’. Por novas imagens, de reconciliação, perdão, autoconfiança, desprendimento, simplicidade, desapego. Paralelo a esta integração, quando começo efetivamente a me respeitar, me amar, consigo amar o outro, aceitando-o como ele é, sem apego, sem ‘posse’, desejando ‘só’ o seu ‘bem’, “Ama a Teu Próximo, quanto A Ti Mesmo”. Assim agindo, energias cósmicas ‘fluem’ por nós, nos reciclando, renovando nossas energias, nos descontaminando, motivando, fazendo nascer o ‘Entusiasmo’ (do grego: Deus em nós) pela vida.

Como já postei em outro momento, os grandes sábios, mentores, sugerem que a melhor forma de lidar com o Mal é Investir no Bem! Não pegue em armas para confrontá-lo, agindo assim, estará envolvido em ódio e paixão. Inclusive nosso ‘próprio mal’, vale a mesma regra.

Podemos finalizar com a máxima de Jesus: “Buscai e Achareis, Batei e Abrir-se-vos-á”. Pois, o ‘Curador’ é interno!  

Psicólogo João Januário Martins – CRP: 06/53413

Postado em 13/01/2012

 


 

Condenação, Perdão e Reconciliação

 

Segundo Jung, as passagens evangélicas de Jesus são “arquetípicas”, ou seja, “verdades eternas”.

Por exemplo, a passagem de Maria Magdala, que estava sendo condenada ao apedrejamento por cometer adultério, Jesus afirma: “Quem estiver livre de pecado, atire a primeira pedra”. Alguém atirou? Não, porque todos tinham pecado, ou seja, “telhado de vidro”.

Quantas situações não vivenciamos o papel, ou de Maria Magdala, candidatos ao apedrejamento, ou somos os próprios acusadores, condenando alguém, loucos para apedrejar, ou seja, “projetarmos” nosso lado “Sombra”, em alguém.

Em outra passagem evangélica, respondendo qual seria o maior dos mandamentos, responde Jesus: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo, como a si mesmo”. Hoje já somos capazes de entender que trazemos o Divino dentro de nós, “Vós sois Deuses”, “Vós sois a Luz do mundo”, dentro do entendimento da proposta do processo de “Individuação”, que em poucas palavras significa, sermos nós mesmos, um indivíduo único, não mais dividido ou cindido, um ser singular. O processo se resume a busca do Divino Interior, de “Deus” ou de “Cristo”, em nós. Portanto nesta máxima de Jesus, “Amar a Deus”, se Deus está presente em nós, entendo, “nos amarmos”, “E ao próximo como a Ti mesmo”, novamente, nos “amarmos” para poder amar o próximo

Em outra passagem, “Quando fores fazer uma oferenda e tiveres alguma pendência com teu irmão, deixe-a à beira do altar, vá primeiro reconciliar-te com o teu irmão, depois volte pra fazer tua oferenda”, Jung, citando  os escritos gnósticos, dos primeiros cristãos, diz que esta passagem está registrada um pouco diferente: “Quando fores fazer uma oferenda no altar más tiveres alguma pendência contigo mesmo, deixe-a à beira do altar e vai primeiro reconciliar-te “contigo mesmo”, depois sim, faça tua “oferenda”. Nesta passagem entendemos, a necessidade da “reconciliação interior”, ou “o processo de”, como condição primeira para a busca da “paz interior” ou da implantação do “Reino de Deus” dentro de nós, “O Reino de Deus está dentro de Vós”.

Em resposta a Pedro sobre o “perdão”, Jesus responde: “Perdoar não sete vezes, más sim, setenta vezes sete...”, que adianta tantas “oferendas”, se na primeira ofensa, já revidamos, não conseguimos ainda “dar a outra face”, ou seja, dar um “outro entendimento” à questão, à mágoa, nos ofendemos, nos sentimos traídos, damos o “troco”, criamos desafetos, guardamos mágoas, não perdoamos... será que ainda estamos sobre a influência da Lei de Talião: “Olho por olho, dente por dente”, lei de Moisés, quatro mil anos atrás?

Ora fazemos o papel dos “inquisidores”, ora somos os próprios “condenados”, “apedrejados”, “crucificados” ou “queimados”.

O que adianta tantas “oferendas” realizadas, se possuímos complexos de poder, de superioridade, e somos movidos, por egoísmo, orgulho, vaidades. Ou quando somos “possuídos” pelo complexos de rejeição, de inferioridade e somos dominados por sentimentos de culpa, que nos induzem a fazer “oferendas” pelos outros, a só servir e viver em função de obrigações e mais obrigações, num total esquecimento e aniquilamento de nós mesmos, o nosso “próximo mais próximo”.

Portanto, só sendo “inteiros” e “completos”, começaremos a experimentar a “paz interior”, a partir do momento que me “enxergo” de verdade, e me aceito como sou, no meu aspecto de Luz/Sombra, sou capaz de “enxergar” o outro e também aceitá-lo como pode ser e não como eu gostaria que ele fosse.

Psicólogo João Januário Martins – CRP: 06/53413

Postado em 15/12/2011.


 
O Psicólogo Clínico Transpessoal Junguiano trata o doente e não a doença

 

O ser humano tende a repetir-se, nos seus comportamentos, nas suas relações afetivas com os outros e consigo mesmo. Muitas vezes estes "afetos" ou tendências que lhe direciona, ou guia sua vida, são imagens, ou referências distorcidas que traz em seu próprio psiquismo. Por exemplo, se traz, uma imagem distorcida de mãe ou pai, pode influenciá-lo nas suas relações com o feminino/masculino. Podem também trazer complexos de rejeição, de inferioridade que geram muita culpa e acabam contaminando qualquer relacionamento. Na prática clínica temos vivenciado, como as criaturas tendem à repetição, aos vícios, às compulsões. Quando falo de vícios, me refiro de uma forma mais abrangente, vícios: de culpa, auto anulação, vitimização, etc. Gerando uma auto sabotagem inconsciente, parecendo que a criatura busca ser penalizada, por um sentimento de culpa muito grande inconsciente.
Jung propunha que o paciente possui seu próprio "curador interno" e cabe ao analista estimulá-lo a este encontro. Chamou este processo de Individuação, ou seja, a busca do “Eu Interior” ou “Si Mesmo”, para isto, a coragem de confrontar-se consigo mesmo, más num processo de reconciliação e não mais de luta interior, de uma auto sabotagem.

Segundo Jung a doença se instala a partir de imagens distorcidas que o doente traz no seu psiquismo, portanto para buscar sua cura, este doente terá que contrapor novas imagens,  lentamente, substituir as imagens distorcidas, contaminadas, sabotadoras, destrutivas, etc., por novas, amigáveis, saudáveis, estimuladoras, etc. Entendendo, que o curador é interno.

Psicólogo João Januário Martins – CRP: 06/53413

 

 

 

 

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